Numa das minhas últimas viagens na net, tropecei num blog, onde a autora de um post se mostrava francamente surpresa com uma estatística de um estudo sobre os hábitos dos consumidores entre os 16 e 27 anos. O que a deixara tão estupefacta, era a resposta a uma pergunta que indicava que cerca de 32% destes consumidores preferem ver televisão a partir do PC. A dita blogger acaba por interpretar esse facto de forma bastante pertinente, ao longo do post. Mas o que me chamou a atenção, foi o facto de alguém se surpreender com semelhante estatística. O que me levou a optar pelo tema dos “Millenials” para escrever este artigo. Não sabe o que são “Millenials”? Pois deixe-me dizer-lhe que devia…
Conhecer o seu mercado implica conhecer os seus consumidores. Há comportamentos, tendências, hábitos de consumo etc. que devem ser estudados de forma sistemática para se perceber “afinal quem são as pessoas a quem vou vender?”. Mas o que acontece quando analisamos um mercado que não compreendemos? Se os comportamentos sociais, o estilo de vida, os gostos, enfim, a cultura dos que tentamos analisar nos for desconhecida e mesmo assim, os tentarmos interpretar aos nossos olhos, não seremos capazes de produzir uma análise eficiente. Na verdade, não seremos capazes de perceber rigorosamente nada acerca do que os motiva, os emociona, os revolta, por outras palavras “What makes them Tick”. Pior do que isto, podemos nem nos aperceber de quão enganados estamos.
E se este bizarro fenómeno estiver a acontecer no seu negócio? E se o seu mercado alvo for, afinal, tão diferente de si, que aquilo que pensa que os irá motivar a comprar, irá pelo contrário afasta-los?
Fique então a saber que se o seu público-alvo tiver menos de 30 anos, este é provavelmente o seu caso.
A verdade é que o fenómeno do choque de gerações é cíclico. Na maioria das empresas, os lugares de chefia são ocupados por pessoas cuja faixa etária se encontra entre os 45 e 60. Estes homens e mulheres, conhecidos por “Baby-Boomers”, viveram períodos de grandes revoluções culturais, sociais e intelectuais que mudaram o planeta. Inventaram um novo mundo de igualdade e prosperidade pelo qual lutaram incansavelmente. Mas também deram grande prioridade à educação dos seus filhos.
Esta nova geração, daqueles que nasceram entre 1980 e 2000, tem muitos nomes, Geração da Internet, Echo Boomers, Nintendo Generation, Digital Generation etc. mas o termo escolhido (numa votação na internet, pelos próprios) foi “Millenials”.
Os Millenials foram educados por pais carinhosos que não se fartavam de lhes dizer o quão especiais eram e que, a única derrota é não tentar. Praticaram desportos onde recebiam troféus só por participarem e, aprenderam instrumentos musicais, para se divertirem, e se não gostassem podiam sempre mudar para outra coisa qualquer. Aprenderam a mexer em computadores, televisões, vídeos, telefones e toda uma parafernália de instrumentos electrónicos, em muitos casos, antes ainda de saberem escrever. Habituaram-se a saber as noticias do mundo ao vivo e a cores, de preferência, com Dolby Digital Surround Sound.
Esta é uma geração de indivíduos que não gosta de ouvir Não! Para eles tudo é possível. Eles viajaram pelo mundo, fizeram voluntariado em África, Sky Diving e Skate. Foram acampar sozinhos com os amigos, antes mesmo de completarem 17 anos. Conheceram, ao longo da vida, pessoas provenientes dos quatro cantos do mundo e fizeram amigos na internet. E, acima de tudo, usam o computador e o telemóvel como se fossem extensões do seu próprio corpo.
Este novo modelo de educação, proporcionado em simultâneo, por uma geração de pais totalmente focada nos filhos e família (mesmo que sem tempo para o fazer) e também pelo novo mundo digital e interligado do século XXI, criou uma geração com características e valores muito próprios.
Os Millenials são muito confiantes e acreditam na auto-estima. Foi-lhes ensinado que podem alcançar o que quiserem, e nada lhes está vedado. Eles acreditam realmente que são importantes e, importam enquanto indivíduos. Não aceitam que a sua palavra não seja levada em conta e exigem ser ouvidos.
São extremamente optimistas, no sentido em que acreditam que o Futuro lhes reserva um papel, no mínimo significativo, se não mesmo especial. Por isto, são ambiciosos e rápidos a determinar as suas metas. São no entanto, muito práticos neste seu modo de estabelecer objectivos, eles sabem que precisarão de um plano e de recursos para o levar a cabo.
Viveram sempre em ambientes sociais complexos e estáveis, de grande diversidade, o que os tornou muito colaborativos e inclusivos. Têm noção de que enquanto colectivo são invencíveis e sabem valer-se disso, principalmente se enfrentam algo que consideram injusto.
A grande maioria dos Millenials percebe as vantagens de trabalhar para o bem comum. São voluntariosos e querem preservar o ambiente. E exigem os mesmos comportamentos por parte das empresas.
Por último, e provavelmente o mais marcante na sua forma de agir no quotidiano,
está a sua relação com a tecnologia. Um Millenial é altamente competente e Tech Savy, adapta-se a rápidas mudanças e aprende muito depressa. Não importa que o mercado esteja constantemente a introduzir novos telemóveis, ipods ou sistemas operativos para o PC, porque o Millenial aprende a dominá-lo numa questão de minutos, e no caso improvável de ter dificuldades, ele sabe ir à net tirar as suas dúvidas.
E é aqui que entra o novo conceito da Web 2.0, porque os Millenials confiam uns nos outros e sabem filtrar a informação de que não precisam, eles procurarão esclarecer-se junto uns dos outros em fóruns e blogs criados por eles mesmos. Se não têm a certeza sobre se devem ou não comprar um determinado produto, eles procurarão a opinião de outros que já tenham adquirido o produto, e estão-se a borrifar para as mensagens que a marca tenta fazer passar sobre o mesmo. Não que o posicionamento da marca ou do produto não importem, mas porque eles quererão confirmar se, o que vão comprar, é realmente tão bom como anunciado. E mal do produto que não souber estar à altura do prometido, porque o Millenial fará questão de que todos saibam (e com as ferramentas da Web 2.0 isto significa mesmo toda a gente!).
É assim a nova geração de cidadãos. Optimista, confiante, exigente e competente. Já sabia? Então o que está a sua marca a fazer para apelar a estes dinâmicos consumidores? Um site na internet e um design jovem não bastará, nem de perto. Na verdade, um design apelativo é essencial, e o site, obviamente, indispensável, mas isto é apenas o começo de uma estratégia de Marketing adaptada aos novos paradigmas do mercado.
As marcas terão de estar verdadeiramente interessadas em saber o que pretendem os seus consumidores, e criar plataformas para os ouvir, porque os novos consumidores/utilizadores têm uma visão hiper-democrática da relação entre vendedor e comprador. Para eles uma empresa deve vender aquilo que os consumidores solicitaram e se, por algum motivo, os produtos tiverem defeitos, deverão ser eles a explicar à marca como corrigir o problema. As empresas terão de investir em desenvolver estímulos ao envolvimento do seu público oferecendo serviços gratuitos, formas de entretenimento ou qualquer outra coisa que motive os seus consumidores alvo a permanecerem envolvidos. Envolvidos na discussão acerca do novo modelo que irá sair para o ano, envolvidos na avaliação que fazem da actual gama, envolvidos no processo de criação de identidade da marca, envolvidos no recrutamento de novos e leais consumidores, envolvidos no desenvolvimento de novas ideias para produtos ou iniciativas etc. Mas acima de tudo, as marcas terão de proporcionar tudo isto, à velocidade de um click.
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November 3rd, 2008 at 8:25 pm
Sou, sem dúvida uma millenial e acredito na enorme potencialidade que este pequeno grande mundo (”à distância de um click”) nos providencia e potencia diariamente. Hi-tech, marcas, desportos radicais, sucesso, ambição, família, são estes os lemas da nossa geração. Mas sobretudo uma sede de vingar e vencer, sempre tendo por base valores tão importantes passados pelas nossas familías. E tu sabes, tão bem quanto eu, como a harmonia familiar, a aceitação e o entendimento são a base da nossa geração (não é priminho?).
Parabéns pela excelente escrita!
Abraço forte
Marta*